DO INÍCIO OUTRA VEZ

 

 

I

 

Foi esta portanto a furtiva impureza que herdámos
sem saber como, este espaço, este canto assim vago,
estes espasmos desmaiados, este tempo, este mundo,
estas arestas, estes pedaços de terra, estes dramas
de inércia e dentes pouco aguçados, os mesmos
rostos rasos ao chão, estes remorsos, estes cafés
onde nos recompomos das derrotas, este modo
de despejar os cinzeiros, estas tardes, este aclarar
da garganta para nada e os rebuçados amarelos
e doces para a tosse, a lucidez, os oscilantes sons
das campainhas, a satisfação ardente dos líquidos
raros, a gradação de intensidade das lâmpadas,
e os dias sempre os dias outra vez os dias.
 
 

Que se diga que vi como a faca corta, Miguel Cardoso

 

Crítica de Imprensa:
Bibliotecário de Babel, José Mário Silva
jornal Expresso - Actual, 19 de Junho de 2010

 

que se diga que vi

 

 

 

Que se diga que vi como a faca corta
Miguel Cardoso
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